sábado, 6 de março de 2010

ALGUÉM SE LEMBRA? 1966, ROBERTO CARLOS NO INÍCIO DA SUA CARREIRA

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O LIMOEIRO ONTEM E HOJE


Aspecto da prisão do Limoeiro (hoje CEJ = Centro de Estudos Judiciários) no tempo em que Bocage lá esteve preso.



Centro de Estudos Judiciários


É longa e rica a história do local onde se situa, actualmente, o Centro de Estudos Judiciários.
Sabe-se que nesse lugar existiu um paço que terá servido de residência real desde o tempo de D. Afonso III.
Esse edifício teve, ao longo da história - por vezes, em simultâneo - várias denominações.
Foi "Paços de a-par-de S. Martinho" por se situar em frente da igreja paroquial que tinha como orago o referido santo, tida por uma das mais antigas de Lisboa. O Paço e o templo estavam ligados por um arco ou passadiço.
Foi "Paço dos Infantes", tendo sido aventado que essa denominação derivou de nele terem habitado os filhos de D. João I. Júlio de Castilho, ilustre olisipógrafo, sustentou ser outra a origem da denominação, defendendo que os Infantes que deram nome ao paço devem ser os filhos do Rei D. Pedro I e de D. Inês de Castro, os célebres D. João e D. Dinis. Esta tese encontra arrimo no cronista Fernão Lopes que, referindo-se a factos do tempo do Rei D. Fernando, diz que o soberano "pousava estomçe nos paaços que chamavom dos Iffantes, que som açerca dessa egreija". A ser verdade, como parece resultar do texto do cronista, que já no reinado de D. Fernando o paço era conhecido como "dos Infantes", esta denominação não poderia referir-se aos filhos do Mestre de Avis e de D. Filipa da Lencastre.
Outra denominação foi a de "Paços da Moeda". É sabido que a oficina dos moedeiros, no tempo de D. Dinis, funcionava no Campo da Pedreira, noBairro de Alfama, junto às casas da Universidade. Com a transferência para Coimbra, no ano de 1308, do Generale Studium, os moedeiros ficaram a ocupar-lhe o lugar. Regressada a Universidade a Lisboa, em 1338, a oficina de fabrico de moeda foi instalada nos "Paços de a-par-de S. Martinho – em parte deles ou em edifício contíguo -, o que originou a nova denominação "da Moeda".
Presumindo-se que os moedeiros estiveram instalados nos Paços entre 1338 e pelo menos 1354, admite-se ter sido esse o local de realização das Cortes de 1352, cujos capítulos gerais atestam que a assembleia teve lugar "nos moedeijros".
O Rei D. Pedro I, nas suas deslocações à cidade de Lisboa, pousava nos Paços a-par de S. Martinho, preferindo-os aos da Alcáçova.
O sucessor de D. Pedro revelou idêntica predilecção, tendo o referido Paço Real servido de residência a D. Fernando e D. Leonor Teles.
Durante a crise de 1383-1385, o Paço Real de a-par-de S. Martinho foi o cenário de acontecimentos dramáticos, narrados magistralmente pelo cronista Fernão Lopes.
Referimo-nos à tarde de 6 de Dezembro de 1383 e ao assassínio de João Fernandes Andeiro, conde de Ourém, às mãos de D. João, Mestre de Avis, e de Rui Pereira, que teve lugar no referido paço, numa sala contígua à câmara régia. Seguiu-se um verdadeiro tumulto na cidade de Lisboa, orquestrado pelos partidários do futuro D. João I, pelo que, só na calada da noite e em segredo, a Rainha D. Leonor Teles mandou sepultar, na Igreja de S. Martinho, o corpo do conde assassinado.
O novo monarca utilizou o paço como residência durante algum tempo, enquanto não acabavam as obras que mandara realizar nos Paços da Alcáçova. No entanto, no início do século XV, o local já ganhara mais uma denominação: a de "Paços do Infante herdeiro", por ser local de residência do infante D. Duarte.
Por essa altura, numa parte das dependências do paço, estavam instaladas as Comendadeiras do Mosteiro de Santos-o-Velho, de que era superiora Inês Pires (ou Peres), de quem D. João I tivera, fruto de amores juvenis, dois filhos: D. Beatriz de Portugal e D. Afonso, que veio a ser conde de Barcelos e 1º duque de Bragança.
Há notícia de que, em meados do século XV, residiram neste paço as irmãs de D. Afonso V – uma delas a infanta D. Leonor, futura imperatriz da Alemanha pelo seu casamento com Frederico III.
No tempo de D. João II, o Paço de S. Martinho, sede do Desembargo do Paço, já funcionava como cadeia e ganhara um novo nome: Paço do Limoeiro ou, mais simplesmente, Limoeiro, em alusão a uma árvore que existia – supõe-se - no local e caracterizava o sítio.
D. Manuel I empreendeu importantes obras no paço. Conta Damião de Góis, referindo-se ao monarca: "Fez de novo em Lisboa junto da igreja de São Martinho os Paços da Casa da Suplicação e do Cível, e cadeia do Limoeiro, obra muito magnífica, e sumptuosa, onde dantes fora a casa da moeda (...)."
Foi assim, com esta dupla função de cárcere (em baixo) e de Tribunal (nos pisos superiores), que o Limoeiro se manteve até ao século XVIII.
Ao Limoeiro eram conduzidos todos os condenados ao degredo nos territórios ultramarinos, a fim de aguardarem nas suas enxovias o dia do embarque.
Saliente-se que no Limoeiro existiam duas cadeias: a Cadeia da Cidade e a Cadeia da Corte, que eram distintas.
No tempo de D. João V, o Limoeiro recebeu beneficiações.
No fatídico dia 1 de Novembro de 1755, a terra tremeu violentamente em Lisboa. O grande terramoto semeou destruição e morte. O Limoeiro ficou seriamente danificado, produzindo-se a derrocada total da Cadeia da Cidade e parcial da Cadeia da Corte, havendo notícia de que os presos puseram-se todos em fuga. Apesar da severidade dos danos, o prior da paróquia de S. Martinho, respondendo ao inquérito efectuado, em 1758, aos diversos párocos da cidade, indicou terem morrido na área da sua paróquia, vitimadas pelo terramoto, apenas trinta pessoas. Na mesma resposta, o prior informa que a Cadeia da Corte já estava, ao tempo, reabilitada.
Do edifício do Limoeiro foram retirados os tribunais da Casa da Suplicação, transferidos para as casas históricas dos condes de Almada, junto ao Rossio.
No século XIX, pensou-se, segundo Júlio de Castilho, "na edificação de uma boa cadeia pública, segundo as normas da higiene, e as prescrições da boa polícia moderna".
Realizadas as obras, o edifício ficou, a partir daí, com uma configuração exterior já próxima da actual. Do magnifico paço medieval, coroado de torres e coruchéus, de que nos falam algumas crónicas e estampas antigas, só restou a memória histórica e a evocação romântica de Herculano no seu Monge de Cister.
O poeta Pedro Correia Garção (em 1771), o poeta Barbosa du Bocage (1797), o pintor Domingos Sequeira (1808) e o escritor Almeida Garrett (1827) foram algumas das personalidades de vulto que conheceram os cárceres do Limoeiro. Também Hipólito da Costa, fundador, em 1808, do Correio Brasiliense (ou Armazém Literário), primeiro órgão da imprensa brasileira (ainda que publicado no exterior), foi um dos infortunados que passaram pela célebre prisão.
É negro o quadro traçado por Oliveira Martins, reportando-se ao Limoeiro no tempo do terror miguelista: "Os homens eram amontoados, empurrados a pau para a sociedade dos assassinos, nessas salas imundas, habitação de misérias informais. Davam-lhes sovas de cacete miguelista, e por dia um quarto de pão e caldo, onde flutuava, raro, alguma erva" (Portugal Contemporâneo).
Nos finais do século XIX e inícios do século XX, multiplicaram-se as críticas ao funcionamento da cadeia do Limoeiro, referida por Francisco de Melo e Noronha como "a escola repugnante de todos os vícios, a nódoa immunda que envergonha a nossa capital aos olhos dos estrangeiros (...)".
Atingido por diversos incêndios, como os de 1918 e de 16 de Maio de 1933, as obras de reconstrução e remodelação do edifício prolongaram-se pela década de 1940.
A cadeia ainda se manteve em funcionamento durante breves meses, após 25 de Abril de 1974. Em Julho desse ano, com a transferência dos presos que aí se encontravam para outro estabelecimento prisional, encerrou-se um longo capítulo da história do Limoeiro.
Tendo acolhido, transitoriamente, alguns portugueses retornados das antigas colónias africanas, as instalações do Limoeiro estiveram durante alguns anos desocupadas, até que, em Dezembro de 1979, foram atribuídas ao Centro de Estudos Judiciários.
Iniciou-se, então, uma nova história.
O Centro de Estudos Judiciários (CEJ) é o estabelecimento dotado de personalidade jurídica e de autonomia administrativa, sob tutela do Ministro da Justiça, responsável pela formação profissional de magistrados judiciais e do Ministério Público e de assessores dos tribunais.
São órgãos do CEJ: o director, o conselho de gestão, o conselho pedagógico, o conselho de disciplina e o conselho administrativo.
O conselho de gestão do CEJ é presidido pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
O director do CEJ é nomeado por despacho conjunto do Primeiro-Ministro e do Ministro da Justiça de entre magistrados, professores universitários ou advogados, ouvido o conselho de gestão, em regime de comissão de serviço, por períodos renováveis de três anos. O director preside ao conselho pedagógico, ao conselho de disciplina e ao conselho administrativo.

Castelo de S. Jorge e Exposição do Mundo Português


Sabia que as muralhas que vemos do Castelo de S. Jorge não têm nada de medieval?
Trata-se de uma construção inserida no plano de renovação urbana da zona ocidental de Lisboa, para a Exposição do Mundo Português.
A exposição foi montada numa vasta área junto ao Tejo, tendo como fundo o Mosteiro dos Jerónimos e decorreu entre 2 de Julho e 2 de Dezembro de 1940.
A Exposição do Mundo Português foi a maior exposição realizada em Portugal até à Expo 98. Teve como objectivo comemorar o Duplo Centenário da Fundação do Estado Português, em 1140, e da Restauração da Independência, em 1640.
A exposição foi inaugurada em 23 de Junho de 1940 pelo chefe de Estado, Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar, e pelo ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco.
Incluía pavilhões temáticos relacionados com a história, actividades económicas, cultura, regiões, territórios ultramarinos de Portugal e também um pavilhão do Brasil, único país estrangeiro convidado.
A exposição levou também à construção de outras infraestruturas de apoio, tal como o aeroporto da Portela.







Como as pessoas em 1910 imaginavam que seria o ano 2000


A Biblioteca Nacional de França tem uma impressionante colecção de gravuras feitas em 1910, que retratam o que seria a vida no ano de 2000.



As mensagens seriam fonográficas ...

Existiriam drive-in para carros voadores ...

Existiriam videoconferências ...

Fabricar roupas nunca seria tão fácil ...

Não existiriam funcionários nas obras, somente robôs ...

Os alunos não usariam livros, iriam ouvi-los de acordo com a vontade do professor
(observe a animação do auxiliar)

Os barbeiros seriam robôs ...

Os bombeiros voariam ...

Os carros voariam ...

Os jornais seriam escutados, ao invés de lidos...

Os sapatos teriam motor ...

LISBOA DEBAIXO DE TERRA

Vale a pena ir ver tudo isto que está na net - Lisboa subterrânea....


Lisboa debaixo de terra - As Galerias Romanas da Rua da Prata



Depois de ver este, gostou? Quer ver muito mais? Eu mostro. Aqui:

Lisboa debaixo de terra - A SÉ de Lisboa



Lisboa debaixo de terra - O Aqueduto das Aguas Livres



Lisboa debaixo de terra - Bairro Estrela D'Ouro



Lisboa debaixo de terra - O Teatro Romano



Lisboa debaixo de terra - O Reservatório da Patriarcal



Lisboa debaixo de terra - O Convento de Corpus Christi



Lisboa debaixo de terra - O Aqueduto das Aguas Livres



Lisboa debaixo de terra - O Nucleo Arqueologico da Rua dos Correeiros



Lisboa debaixo de terra - O Padrão do Chão Salgado



Lisboa debaixo de terra - A Muralha Fernandina



Lisboa debaixo de terra - Os Moinhos de Vento



Lisboa debaixo de terra - O Palácio Foz

sexta-feira, 5 de março de 2010

CANCIONEIROS MEDIEVAIS


No período trovadoresco a maior parte das poesias não era escrita, mas cantada, donde vem o nome "cantiga".
Só a partir do final do século XIII, as cantigas foram copiadas e coleccionadas em manuscritos chamados "cancioneiros".

Três desses livros chegaram até os nossos dias:


Cancioneiro da Vaticana

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Fólio do Cancioneiro da Vaticana


Foi copiado na Itália, no final do século XV, ou, início do século XVI, encontrando-se depositado na Biblioteca do Vaticano, donde deriva o nome pelo qual é conhecido. Entre as suas 1205 cantigas, há composições de todos os géneros.


Cancioneiro da Biblioteca Nacional

O Cancioneiro da Biblioteca Nacional (outrora chamado Cancioneiro Colocci-Brancuti) é uma colectânea de lirismo trovadoresco galaico-português (cantigas de amigo, de amor e de escárnio e mal-dizer), compilado em Itália por volta de 1525-1526 por ordem do humanista Angelo Colocci (1467-1549). Ele numerou 1664 composições e anotou praticamente todo o códice. O manuscrito foi parar vários séculos depois nas mãos do conde Paolo Brancuti di Cagli, de Ancona, que em 1888 o vendeu ao filólogo italiano Ernesto Monaci. Em 1924 foi adquirido pelo Estado Português e depositado na Biblioteca Nacional de Lisboa, de onde colheu o nome pelo qual é hoje conhecido.
Foi redigido em seis diferentes letras, com predominância da letra itálica chanceleresca e letra bastarda cursiva. Das 1664 composições originais chegaram apenas 1560 aos dias atuais. Entre os trovadores presentes salientam-se o Rei Dom Dinis, Dom Sancho I, Dom Pedro conde de Barcelos, Pay Soares de Taveirós, Joham Garcia de Guylhade, Ayras Nunes, Martim Codax, etc

Foi feita pela primeira vez a sua leitura, comentários, notas e glossário, por Elza Paxeco, em colaboração com seu marido, José Pedro Machado. Esta obra ocupa oito volumes e é acompanhada pela reprodução fotocopiada do manuscrito; edição crítica e integral, realizada por Edições Ocidente que a editou, sem quaisquer apoios oficiais ou particulares, em folhas mensais apensas à Revista de Portugal (1949-1964).

Cancioneiro da Ajuda


Miniatura do Cancioneiro da Ajuda

O Cancioneiro da Ajuda é uma coleção de poesias escritas em galego-português datada do final do século XIII, influenciadas pela lírica occitana.
Recebe o seu nome por se conservar na biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa. É um códice de pergaminho escrito por uma só pessoa em escrita gótica com miniaturas que ficou incompleto: aparecem os textos poéticos, mas não se terminaram as miniaturas nem se copiou a música — para a qual há um espaço reservado abaixo dos versos da primeira estrofe de cada cantiga. Trata-se duma coletánea que possui 310 composições poéticas, todas cantigas de amor.
As primeiras edições completas datam de 1824 e 1849, embora a edição clássica é a realizada por Carolina Michaëlis no ano 1904.
É o mais antigo dos três principais cancioneiros medievais conservados e o mais fiável de todos por ter sido elaborado na época trovadoresca na corte de Afonso X o Sábio.

terça-feira, 2 de março de 2010

HOTEL AVIS - HOTEL SHERATON


Estão a ver onde se ergue hoje o complexo Sheraton/Imaviz? Em Lisboa, ao Saldanha?



Vejam só como era ali no princípio do século, e até "alguns" anos atrás:



Palacete Silva Graça* (depois Hotel Aviz) e senhoras subindo o troço inicial da Av. 5 de Outubro, Lisboa, post. 1908.
Joshua Benoliel, in Arquivo Fotográfico da C.M.L..


Em 1904, foi construído um palacete, mandado erigir por José Joaquim da Silva Graça, para sua habitação particular, tendo sido desenhado pelo Arquitecto António Abreu.

Em 1919, José Rugeroni, genro do proprietário, adquiriu o palacete.

Em 1931, decidiu converter o palacete, com o jardim e respectivos anexos, num hotel de luxo, radicalmente transformado, segundo orientação do seu proprietário, com a colaboração do Arquitecto Vasco Regaleira e inaugurado, em 24 de Outubro de 1933, com a designação de HOTEL AVIS.

Nele viveu Calouste Gulbenkian até ao seu falecimento.

Antes da inauguração do Hotel Ritz era no Hotel Avis, que se hospedavam os altos dignitários que visitavam Lisboa.

Foi demolido em 1954, assim como o seu jardim envolvente.

Naquela altura, tanto o Hotel Avis como o Palace Hotel do Bussaco constituíam os dois únicos hotéis de luxo em Portugal


*Silva Graça, proprietário e director do jornal "O Século" (extinto por Manuel Alegre, enquanto Secretário de Estado da Comunicação Social).